quarta-feira, 20 de abril de 2011

Água

Como gostaria de ser a água.
Eu, assim, mataria a sede de muitos.
Traria, clareza à muitas mentes.
Limparia a alma.
Habitaria lugares ainda desconhecidos.
Seria uma fonte de energia
e melhor de tudo,
ocuparia o lugar vazio em seu coração.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Viu, acordei meio assim. Desse jeito assim. Fui, então, me olhar no espelho pra entender melhor. Admito que não levei um susto, tão grande, por que era desse jeito mesmo que estava.
Meu reflexo no espelho não tinha rosto. Ah, assim será meu dia, então.
Mas como posso ter um dia feliz, se não poderei sentir o cheiro de uma flor? Ou se não ver o sol raiar? Nem mesmo sentir o gostinho de um beijo.
É. Acordei meio assim mesmo. Mas então, onde estará meu rosto? Onde o deixei, ou será que o esqueci, por descuido meu?
Bem, uma hora terá que voltar.
Mas até lá, não poderei sorrir, chorar ou espirrar.
Andei pensando. Na realidade, é desse jeito mesmo que quero estar hoje. Sem poder sentir, ver ou respirar algo.
Mas pensando novamente, posso ainda sentir o calor de um abraço. Posso, também, escutar as doces palavras que saem da boca de outros.
Quem sabe se hoje não será tão assim?

domingo, 10 de abril de 2011

A moça parou na minha frente e fez a tão esperada pergunta.
"O que você come no café da manhã? Bolo, pão ou fruta?"
Levantei minha cabeça para olhar nos olhos dela, estufei meu peito e disse com o maior orgulho do mundo:
"Panqueca."

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Estou aflita. Olho para o livro e depois para a minha pasta de desenho. Olho para meus pés, lá no chão, e depois para minha mente, lá em cima. Mas o que quero saber mesmo é onde está meu coração.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Perdida em meus pensamentos, olho pra fora da janela do ônibus. Quando algo chama minha atenção, nesse final de tarde chuvoso.
Um prédio velho me olha, eu o olho de volta. Não era um prédio bonito, nem grande, muito menos limpo. Mas nos encaramos por muito tempo.
Percebi que só havia uma janela aberta. Havia alguém ali apoiado. Por causa dos contrastes de luz e sombra, não pude saber se era homem ou mulher.
Mas de qualquer forma, meus olhos não desviavam dessa figura.
Um ser relxado, com os braços cruzados, mas com a cabeça encarando o céu negro e chuvoso. 
Só não conseguia decifrar o que esta chama estava fazendo na minha pintura preto e branco.